domingo, 3 de julho de 2022

Legalizar o aborto

 O mais correto é dizer "defender a legalização do aborto" e não "defender o aborto" . Mas dá para entender o que Tabata Tesser quis dizer. Assim, a mulher pode ser contra o aborto e assim mesmo ter o direito de praticá-lo não sendo isso agradável nem de forma física e nem de forma psicológica. E pratica somente quando vê necessidade premente em fazê-lo.

A lei sobre o direito a nossos corpos deve ser ampliada. Se não é possível a auto mutilação, ato que só é praticado por doente mental, o suicídio consumado jamais será punido na Terra. A disposição sobre o próprio corpo no ser humano em geral deve ser abordada de forma ampla e discutida no âmbito jurídico que é influenciado por costumes populares. É forte o desejo de uma mulher ter filhos, dizendo de modo geral, e esse desejo permanece mesmo diante de situações sociais e políticas desfavoráveis a essa realização, resistindo até o limite do suportável. Também na maioria das mulheres no Brasil, devendo haver raríssimas exceções, existe o senso moral religioso e a compreensão espiritual no sentido de valorizar qualquer forma de vida. A maioria crê que o ser humano é superior e o humano se coloca como única espécie de um mesmo gênero, quando muito bem poderíamos estar classificados junto aos símios com quem não podemos mais ter crias. Também é considerado haver uma alma superior em humanos, quando o espírito da divindade é o Um que abrange o todo. Do todo viemos e para o todo que é o Um voltaremos. E um feto humano é semelhante ao feto de um bovino em dado momento da sua formação. Cada vida tem, no senso comum a todos nós, um valor imensurável e fica no assassino a marca de ter retirado a vida, supondo que dessa forma a sua própria vida iria melhorar. Mas, o ser já formado ao ser assassinado tem uma história. E é a história pode ser a do menino de rua que passa numa fruteira e toma para si uma laranja. Sai correndo. Apanha de quem condena o aborto como ato legal. O problema matemático seria mais difícil valorando a vida desse menino que cometeu o furto famélico, legal por justiça. Mas, o menino pode ir além e cheirar cola, etc. A legalização do aborto não tira de cada uma de nós, mulher, o valor que damos para uma semente em nosso útero, valor esse formado em nossa cultura e religiosidade. O freio moral não permite que os hospitais se encham de mulheres abortando, a menos que uma fome contumaz assole o país a ponto de tornar o estômago um órgão para nós mais importante que o útero e que nosso próprio coração de mãe que pulsa em cada mulher, mesmo naquelas que nunca tiveram filhos.

Comentário de Ruth Iara Lopes Ferreira

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